CTA E GOVERNO REFORÇAM APOSTA NA INDUSTRIALIZAÇÃO PARA ACELERAR A TRANSFORMAÇÃO DA ECONOMIA MOÇAMBICANA
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e o Governo defenderam, nesta quarta-feira, 16 de Setembro de 2026, uma maior articulação entre o comércio externo e a industrialização, como caminho para ampliar a produção nacional, diversificar a economia e aumentar a capacidade de Moçambique competir nos mercados regionais e internacionais. A posição foi apresentada durante o debate sobre “Transformação Estrutural Rumo à Independência Económica: Medidas de Comércio Externo e Oportunidades de Industrialização”, que reuniu representantes do Governo, sector empresarial e parceiros de cooperação.
O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, afirmou que o país dispõe de recursos naturais, terras aráveis, energia, infra-estruturas portuárias e corredores de desenvolvimento que podem sustentar uma transformação produtiva mais acelerada, mas defendeu que é necessário aumentar a capacidade de processamento interno. Para o dirigente, a prioridade deve passar pela criação de condições que permitam às empresas produzir com maior competitividade, através da redução dos custos de energia e logística, simplificação de procedimentos, melhoria do acesso ao financiamento e adopção de uma política aduaneira favorável à aquisição de equipamentos e matérias-primas essenciais à produção.
Massingue defendeu igualmente uma estratégia orientada para mercados mais amplos, incluindo a SADC e a Zona de Comércio Livre Continental Africana, salientando que a existência de acordos comerciais precisa de ser acompanhada por empresas capazes de cumprir padrões de qualidade, obter certificações e superar barreiras não tarifárias. Neste contexto, propôs a criação de um Conselho Nacional de Industrialização, envolvendo Governo, sector privado, banca e academia, para acompanhar a implementação das políticas e medir os resultados através de indicadores como produção, investimento, emprego e exportações.
Por seu turno, o Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, afirmou que a independência económica não significa isolamento, mas capacidade de produzir, transformar e competir, garantindo maior retenção de valor dentro da economia nacional. O governante defendeu uma intervenção coordenada entre o Estado e o sector privado, com o Governo a concentrar-se na melhoria do ambiente de negócios e redução dos custos de operação, enquanto as empresas devem apostar no investimento, inovação, produtividade, qualidade e orientação para a exportação, tendo a CTA como uma das plataformas de ligação entre os constrangimentos enfrentados pelo empresariado e as soluções a serem consideradas pelas autoridades.
