DANIEL CHAPO: “A MULHER MOÇAMBICANA É UMA GRANDE GESTORA” E DEFENDE AUTONOMIA ECONÓMICA
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu, neste sábado, 17 de Outubro de 2026, na cidade da Beira, província de Sofala, o reforço do papel da mulher moçambicana no desenvolvimento económico e social do país, destacando a sua capacidade de gestão, a importância da autonomia financeira e a necessidade de ampliar as oportunidades de acesso ao financiamento.
A posição foi expressa durante um encontro com mulheres da província de Sofala, realizado no Pavilhão do Ferroviário da Beira, no âmbito da visita de trabalho que o Chefe do Estado efectuou à província, no quadro da governação de proximidade.
Na sua intervenção, Daniel Chapo sublinhou que não é possível alcançar um desenvolvimento sustentável sem a participação activa da mulher moçambicana, cuja contribuição considera determinante para a organização das famílias, a dinamização da economia e o fortalecimento das comunidades.
O Presidente explicou que os encontros com mulheres, realizados em diferentes pontos do território nacional, têm como finalidade conhecer as suas principais preocupações e apresentar as respostas que o Governo está a implementar para promover a sua inclusão económica e social.
Entre as principais medidas destacadas pelo Chefe do Estado está a criação do Fundo Pró-Mulher, uma iniciativa destinada especificamente ao financiamento de mulheres moçambicanas, com vista a facilitar o acesso a recursos financeiros para o desenvolvimento de pequenos negócios e outras actividades geradoras de rendimento.
Daniel Chapo explicou que a criação de um mecanismo específico para as mulheres resulta do reconhecimento das dificuldades que muitas enfrentam para obter financiamento, apesar do papel que desempenham na economia familiar e nos mercados locais.
Para ilustrar essa realidade, o Presidente partilhou o caso de uma mulher da cidade de Xai-Xai, na província de Gaza, que, após perder o marido em 2013, ficou responsável por três filhos e iniciou uma actividade comercial com apenas 200 meticais.
Segundo o exemplo apresentado, a mulher começou por comprar pão para revender e, gradualmente, expandiu as suas actividades, passando a comercializar outros produtos. Com persistência e capacidade de gestão, conseguiu assegurar a formação dos filhos: uma filha tornou-se médica, outra formou-se em Contabilidade e o terceiro filho frequenta o curso de Direito.
Para Daniel Chapo, esta experiência demonstra que, quando dispõe de oportunidades e de condições mínimas para desenvolver uma actividade económica, a mulher pode transformar recursos limitados numa fonte de sustento familiar e de progresso social.
O Chefe do Estado salientou, por isso, que o financiamento dirigido às mulheres deve contribuir para fortalecer os seus negócios, ampliar a sua independência económica e criar condições para que participem de forma mais efectiva no desenvolvimento nacional.
Na mesma ocasião, o Presidente destacou a experiência dos grupos de poupança e crédito rotativo, conhecidos localmente como xitique, sublinhando a capacidade de organização e de gestão demonstrada pelas mulheres em diferentes comunidades.
Como exemplo, referiu experiências observadas no sector das pescas, onde grupos de homens e de mulheres receberam apoio para desenvolver mecanismos de poupança. Segundo o relato apresentado, os grupos femininos conseguiram manter-se activos, enquanto os masculinos acabaram por desaparecer.
O exemplo foi utilizado para reforçar a importância da disciplina financeira, da organização colectiva e da responsabilidade na utilização dos recursos disponibilizados.
Daniel Chapo defendeu que o financiamento deve ser acompanhado por uma gestão responsável, de modo a garantir que os valores recebidos sejam aplicados nos objectivos definidos, contribuindo para a sustentabilidade dos negócios e para a melhoria das condições de vida das famílias.
O Presidente reiterou que o Fundo Pró-Mulher pretende reconhecer e valorizar essa capacidade, criando oportunidades para que mais mulheres, incluindo as que desenvolvem pequenos negócios nos mercados, possam expandir as suas actividades económicas.
O Chefe do Estado abordou igualmente o papel da mulher na promoção da paz, da harmonia familiar e da estabilidade social, defendendo que a construção de uma sociedade pacífica começa no seio da família.
Na sua intervenção, apelou à valorização da contribuição das mulheres para a resolução de conflitos e para a preservação da convivência harmoniosa nas comunidades, considerando que o desenvolvimento do país depende também de um ambiente de paz, diálogo e respeito mútuo.
Daniel Chapo sublinhou ainda a necessidade de reforçar a protecção das crianças e dos adolescentes perante ameaças que comprometem o seu desenvolvimento, com destaque para o consumo de drogas e de álcool.
O Presidente alertou para a circulação de produtos apresentados como doces ou alimentos, mas que podem conter substâncias estupefacientes, colocando em risco a saúde e o comportamento dos menores. Nesse contexto, apelou às famílias, às escolas e à sociedade em geral para permanecerem vigilantes e trabalharem em conjunto na prevenção e no combate a este fenómeno.
O Chefe do Estado considerou que a protecção da infância e da juventude constitui uma responsabilidade colectiva, tendo em conta que os efeitos do consumo de drogas podem comprometer o futuro dos jovens e, consequentemente, o desenvolvimento de Moçambique.
Na parte final da sua intervenção, Daniel Chapo apelou à participação activa das mulheres no processo de diálogo nacional inclusivo, defendendo que este deve constituir uma oportunidade para apresentar propostas e contribuir para a definição do futuro do país.
O Presidente incentivou as mulheres de Sofala a envolverem-se nas discussões, com particular atenção à defesa dos direitos das mulheres e das raparigas, à educação, à protecção da criança e à valorização dos idosos.
Segundo o Chefe do Estado, a participação feminina neste processo é fundamental para garantir que as preocupações e as experiências das mulheres sejam devidamente consideradas nas decisões que influenciam a vida nacional.
Ao dirigir-se às participantes, Daniel Chapo reafirmou a importância de continuar a trabalhar para ampliar as oportunidades económicas, fortalecer as famílias e promover uma sociedade mais inclusiva, na qual a mulher tenha condições de contribuir plenamente para o desenvolvimento de Moçambique.
O encontro com as mulheres de Sofala enquadra-se na agenda de governação de proximidade do Presidente da República, orientada para o contacto directo com diferentes segmentos da sociedade, a auscultação das suas preocupações e a divulgação das medidas governamentais destinadas a responder aos desafios do país.
