GOVERNO DE MOÇAMBIQUE ANUNCIA A “BOA NOVA” DO BRT EM MAPUTO: “AS OBRAS VÃO COMEÇAR” PARA TRANSFORMAR A MOBILIDADE URBANA
O Ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, dirigiu, nesta quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, na cidade de Maputo, a cerimónia de assinatura dos contratos para a construção da infraestrutura viária do sistema de Transporte Rápido por Autocarros, BRT, e o lançamento da primeira pedra que marca o início das obras do projecto.
Durante a cerimónia, Matlombe destacou a importância do projecto para a transformação da mobilidade urbana na Área Metropolitana de Maputo, considerando o início das obras como resultado do compromisso do Governo com a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. O projecto é financiado pelo Banco Mundial através de um donativo de 250 milhões de dólares e tem conclusão prevista para 2028.
“Hoje não estamos aqui para fazer promessas. Estamos aqui para anunciar a boa nova, como o nosso querido Presidente nos mandatou. As obras vão começar.”
Segundo o Ministro, o arranque da empreitada representa a passagem do planeamento para a execução, estando já contratados o empreiteiro e a equipa de fiscalização, criando as condições necessárias para a implementação do projecto.
A primeira fase do BRT abrangerá os municípios de Maputo, Matola e Marracuene, com uma infraestrutura concebida para melhorar a circulação ao longo dos principais corredores da Área Metropolitana de Maputo, reduzir os tempos de viagem, descongestionar as principais vias, melhorar a segurança rodoviária e diminuir a emissão de gases poluentes.
O projecto contempla um corredor central segregado com cerca de 20 quilómetros, ligando a Baixa da cidade de Maputo à Praça da Juventude, em Magoanine, e à Rotunda de Missão Roque, no Zimpeto. Estão igualmente previstas cerca de 46 quilómetros de rotas alimentadoras não segregadas, ligando diferentes pontos dos municípios abrangidos.
Com a implementação do sistema, o Governo pretende disponibilizar um serviço de transporte público mais seguro, rápido, confortável, previsível e acessível, reduzindo o tempo que os cidadãos passam diariamente no trânsito e os custos associados às deslocações.
Na fase inicial de operação, deverão ser adquiridos cerca de 120 autocarros eléctricos, equipados com sistemas inteligentes de transporte, bilhética electrónica, localização automática dos veículos e mecanismos de informação aos passageiros em tempo real.
Matlombe salientou que o investimento não representa apenas a construção de estradas, terminais e outras infraestruturas, mas constitui, sobretudo, um investimento nas pessoas, no tempo das famílias, na produtividade das empresas, no futuro dos jovens e na competitividade das cidades.
“Queremos devolver às pessoas aquilo que o congestionamento nos rouba todos os dias: tempo para a família, tempo para trabalhar e tempo para estudar.”
O Ministro destacou ainda o impacto económico e social do projecto, prevendo a criação de milhares de oportunidades de emprego directo e indirecto, com particular atenção para jovens e mulheres nas zonas abrangidas pela intervenção.
Neste contexto, apelou ao empreiteiro e às empresas envolvidas para que priorizem a contratação de mão-de-obra local, permitindo que as comunidades directamente afectadas pelas obras também beneficiem das oportunidades geradas pelo projecto.
Matlombe considerou que cada obra representa uma oportunidade para as famílias e para a economia local, defendendo que a implementação do BRT deve gerar rendimento, desenvolver competências, dinamizar empresas nacionais e contribuir para o aumento das receitas do Estado.
O governante abordou igualmente a questão dos reassentamentos que poderão resultar da execução das obras, defendendo que o processo deve ser conduzido de forma humanizada e acompanhado por todas as componentes necessárias para garantir melhores condições de vida às famílias abrangidas.
“Nós não queremos que o projecto desenvolva e olhe para o reassentamento como se estivéssemos a reassentar pessoas vítimas das cheias. Estamos a fazer mobilidade de pessoas por força do desenvolvimento, e as pessoas têm que sentir o desenvolvimento nas novas infraestruturas.”
Para Matlombe, a qualidade das obras, o cumprimento dos prazos, a transparência, a fiscalização e a coordenação entre as instituições serão determinantes para o sucesso do projecto e para o cumprimento dos compromissos assumidos com os parceiros de financiamento.
O Ministro aproveitou igualmente a ocasião para tranquilizar os actuais operadores de transporte público, incluindo cooperativas e outros intervenientes do sector, esclarecendo que o BRT não pretende afastá-los ou substituí-los, mas integrá-los no novo modelo de transporte.
“O BRT não vem para afastar nem para substituir os nossos operadores de transporte público. Pelo contrário, vem para os integrar, capacitar e elevá-los a um patamar empresarial mais organizado e mais estruturado.”
Segundo explicou, a intenção do Governo é permitir que os actuais operadores participem na operacionalização das rotas alimentadoras do BRT, ao mesmo tempo que será desenvolvido um projecto-piloto destinado à criação e financiamento de empresas operadoras de transporte público geridas especialmente por mulheres.
A iniciativa pretende ainda reforçar a inclusão social e de género, estando estabelecidas metas específicas de participação de mulheres e jovens entre os utilizadores directos do sistema.
Na sua intervenção, Matlombe agradeceu ao Banco Mundial, aos Conselhos Municipais, à Agência Metropolitana de Transportes e aos demais parceiros envolvidos no projecto, apelando às equipas técnicas para trabalharem com empenho, transparência e celeridade.
O Ministro apelou também às equipas no terreno para manterem uma relação harmoniosa com as comunidades durante a execução das obras e adoptarem medidas capazes de reduzir os impactos temporários no trânsito e na vida dos cidadãos.
Com o arranque da empreitada, o Governo pretende transformar o BRT numa das principais respostas aos desafios de mobilidade urbana da Área Metropolitana de Maputo, com a expectativa de que o novo sistema contribua para uma circulação mais eficiente, sustentável e integrada. O projecto prevê a conclusão em 2028.
