“ANAMOLA NASCEU EM NACALA E É AQUI ONDE VAI MORRER”: MAIS DE 300 MEMBROS ABANDONAM O PARTIDO E LANÇAM DURAS CRÍTICAS À LIDERANÇA DE VENÂNCIO MONDLANE, A QUEM DISSIDENTES CHAMAM DE “LOBO DEVORADOR” E “DISFARÇADO”
Mais de 300 membros e simpatizantes do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) anunciaram, no último sábado, 12 de Setembro de 2026, em Nacala-Porto, a sua saída da formação política, numa manifestação marcada por fortes críticas à liderança de Venâncio Mondlane e por acusações de divisões internas.
Os antigos membros afirmam que decidiram abandonar o partido por não se reverem na forma como a organização tem sido conduzida. Durante a declaração pública, alguns dos dissidentes acusaram Venâncio Mondlane de projectar uma imagem de “salvador da pátria”, mas de, segundo eles, revelar posteriormente um comportamento contrário aos princípios que defendia.
“Venâncio Mondlane é um disfarçado. É um lobo que se cobriu com pele de ovelha, enquanto é um lobo devorador”, afirmou um dos antigos membros, numa declaração dirigida à imprensa.
Os dissidentes alegam ainda que, em vez de promover a união entre os seus membros, a liderança do partido terá contribuído para o aprofundamento de conflitos internos, incluindo situações que, segundo eles, resultaram no encaminhamento de membros ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e à Procuradoria.
“Estamos aqui para informar o público e a nação de que já saímos do ANAMOLA. Nós achávamos que podíamos encontrar um líder capaz de acolher o povo, mas internamente encontramos um ambiente de combate”, declarou um dos porta-vozes do grupo.
Alguns dos antigos membros afirmam igualmente que a sua saída está relacionada com conflitos internos em torno da liderança do partido em Nacala-Porto. Segundo os relatos apresentados, houve divergências sobre a estrutura de coordenação local e sobre a permanência de determinados membros na organização.
Quanto ao futuro político, os dissidentes dizem que ainda vão avaliar se irão aderir a outra formação partidária ou se, por enquanto, permanecerão afastados da actividade política.
“Se acharmos que teremos de nos alinhar a outro partido, podemos alinhar. Se acharmos que não dá, ficaremos fora da política”, disseram.
Entre as declarações mais fortes esteve também a afirmação de que Nacala-Porto, considerada pelos próprios dissidentes como um dos pontos de origem e expansão do ANAMOLA, poderá tornar-se igualmente o local onde o partido enfrentará uma das suas maiores crises internas.
“Preferimos hoje renunciar ao ANAMOLA. O ANAMOLA nasceu aqui e é aqui onde vai morrer”, afirmaram os antigos membros.
