JOÃO MATLOMBE DESAFIA EMPRESÁRIOS A INVESTIR NA LOGÍSTICA NACIONAL E ALERTA “NÃO ESTAMOS PERANTE UM PROBLEMA ISOLADO COMO PAÍS”
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, desafiou, nesta quinta-feira, 10 de Setembro de 2026, em Maputo, o empresariado nacional a assumir um papel mais activo no desenvolvimento do sector logístico, através do investimento nos projectos recentemente aprovados pelo Governo, alguns dos quais reservam uma participação específica para investidores nacionais.
O apelo foi feito durante a sessão de abertura da 22.ª edição do Economic Briefing da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), onde o governante destacou projectos como a Fronteira de Paragem Única de Machipanda, a concessão da N4 e a construção do Porto Seco de Dondo, defendendo que estas iniciativas representam oportunidades concretas para a participação do sector privado nacional.
Na ocasião, João Matlombe defendeu uma nova abordagem para as infra-estruturas de transporte, recordando que, no passado, portos, ferrovias, estradas e outros equipamentos eram encarados essencialmente como estruturas isoladas. Segundo o Ministro, o desafio actual passa por transformar essas infra-estruturas em corredores logísticos e de desenvolvimento, capazes de reduzir custos, aumentar a eficiência e melhorar a competitividade da economia nacional.
“Quando o custo de transportar uma tonelada de mercadoria é elevado, quando uma carga permanece demasiado tempo num terminal, quando existem processos administrativos duplicados ou quando uma interrupção numa estrada paralisa uma cadeia de abastecimento, não estamos perante um problema exclusivamente do sector dos transportes. Estamos perante um problema de competitividade nacional”, afirmou João Matlombe.
Por seu turno, o Presidente da CTA, Álvaro Massingue, revelou que as receitas das empresas cresceram a um ritmo superior ao dos seus custos, apontando entre os factores que contribuíram para este desempenho o dinamismo da campanha de comercialização agrícola e a relativa estabilidade da moeda nacional.
“São sinais ainda modestos, mas importantes. Demonstram que o sector privado moçambicano continua a revelar capacidade de resistência e adaptação. Contudo, não podemos interpretar esta melhoria como sinal de que os problemas estruturais estejam ultrapassados”, advertiu Álvaro Massingue, defendendo uma leitura cautelosa dos indicadores económicos e a continuidade dos esforços para superar os constrangimentos estruturais que afectam o sector empresarial.
