‎JOÃO MATLOMBE AFIRMA NA FACIM 2026: “O CORREDOR DA BEIRA TEM CONDIÇÕES PARA SER O MELHOR DO PAÍS”, MAS TEM DESAFIOS POR ULTRAPASSAR ‎

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O Ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, defendeu a necessidade de acelerar os investimentos nas infraestruturas do Porto da Beira, nas estradas e nas fronteiras, como forma de reduzir os actuais constrangimentos logísticos e tornar Moçambique mais competitivo na região.

‎‎A posição foi apresentada nesta terça-feira, 01 de Setembro de 2026, durante uma entrevista ao Anti Óbvio Podcast, realizada no âmbito da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2026), no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, distrito de Marracuene, província de Maputo.

‎Ao abordar os desafios das infraestruturas logísticas, João Matlombe apontou o Porto da Beira como uma infra estrutura com elevado potencial, mas que enfrenta actualmente limitações relacionadas com a capacidade e o congestionamento.

‎‎Segundo o Ministro, a situação está a contribuir para a perda de carga para outros portos da região, incluindo o Porto de Dar es Salaam, na Tanzânia, apesar da distância que separa este destino de alguns dos mercados servidos pelo Corredor da Beira.

‎“Hoje, a Beira tem condições para ser o melhor porto do país, mas é o porto mais congestionado”, afirmou Matlombe, defendendo a necessidade de investimentos tanto na própria infra estrutura portuária como nas vias de acesso.

‎O governante identificou igualmente as fronteiras como outro ponto crítico da cadeia logística nacional, considerando que os congestionamentos e a morosidade nos processos acabam por afectar a eficiência de todo o corredor.

‎Na sua perspectiva, a melhoria coordenada dos portos, estradas e fronteiras poderá colocar Moçambique numa posição de maior destaque no sector logístico regional.

‎Matlombe explicou que a competitividade logística depende, em primeiro lugar, da eficiência, previsibilidade e facilidade dos serviços, antes mesmo da questão dos custos. Segundo o Ministro, quando os processos são eficientes, previsíveis e digitalizados, o país torna se mais atractivo para os operadores e investidores.

‎O governante destacou o Corredor de Maputo como exemplo de uma operação que tem registado avanços importantes, sobretudo devido à digitalização e à melhoria da eficiência ao longo da cadeia logística.

‎“É um dos corredores que nós temos ao nível da região, em termos de eficiência”, afirmou, destacando igualmente os investimentos realizados para aumentar a capacidade do Porto de Maputo.

‎Matlombe revelou ainda que o Porto de Maputo está a beneficiar de investimentos destinados à modernização, expansão da capacidade dos terminais e desenvolvimento de uma zona económica especial, medidas que, segundo explicou, contribuem para aumentar a competitividade da infra estrutura.

‎Para o Ministro, a experiência acumulada no Corredor de Maputo deve ser aproveitada e adaptada aos corredores da Beira e de Nacala, permitindo que estas infraestruturas aumentem a sua capacidade de atrair carga e competir com outros portos da África Austral.

‎A aposta no Corredor da Beira já inclui projectos destinados a aliviar a pressão sobre o porto. Em Julho de 2026, o Governo celebrou o contrato de concessão do Terminal Logístico de Dondo, um projecto estimado em cerca de 117 milhões de dólares e concebido para dinamizar o corredor e reduzir a pressão sobre o Porto da Beira.

‎O Ministério dos Transportes e Logística também reconhece oficialmente que o Porto da Beira enfrenta problemas de congestionamento e morosidade, tendo avançado com projectos como a nova estrada de acesso ao porto e o Terminal Logístico de Dondo para melhorar a eficiência do corredor.

‎João Matlombe defendeu, por isso, que o investimento em infra estruturas deve ser acompanhado pela digitalização, redução da intervenção humana nos processos, melhoria dos serviços e criação de condições que permitam aos operadores trabalhar com maior previsibilidade.

‎A estratégia, segundo o governante, passa por transformar os corredores logísticos moçambicanos em plataformas mais eficientes, capazes de captar maior volume de carga, gerar receitas, estimular o investimento privado e reforçar o papel de Moçambique como porta de entrada e saída de mercadorias para os países da região.

‎A aposta na Beira, Maputo e Nacala Porto surge, assim, como parte de uma estratégia para aproveitar a localização geográfica de Moçambique e transformar a logística num dos principais motores da economia nacional.

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