PEDRO SILVA QUER MPMES A SAIR DA FACIM COM NEGÓCIOS “A SÉRIO” E DEFENDE MAIS ACESSO AO FINANCIAMENTO
O Presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), Pedro Silva, defende que a participação das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) deve ir além da simples exposição de produtos e serviços, transformando-se numa oportunidade concreta para a realização de negócios, estabelecimento de parcerias e atracção de investimento.
Falando nesta quarta-feira, 26 de Agosto de 2026, durante uma entrevista à MBC TV, Pedro Silva destacou a criação, pela primeira vez, de um pavilhão único dedicado às MPMEs e cooperativas, considerando a iniciativa uma oportunidade para aumentar a visibilidade do sector empresarial nacional. A 61.ª FACIM decorrerá de 31 de Agosto a 6 de Setembro de 2026, em Marracuene, sob o lema “Transformação Digital e Energética Rumo a uma Economia Sustentável”.
Segundo Pedro Silva, durante muitos anos, a participação das pequenas empresas na FACIM esteve mais concentrada na apresentação dos seus produtos, sem que essa exposição resultasse necessariamente em negócios efectivos.
“Por norma, mais parecemos ali figurantes, vamos mostrar produtos que temos, mas não fazemos negócios. Nós temos que começar a fazer negócios”, afirmou.
O Presidente da APME revelou ainda que a procura pelo espaço destinado às MPMEs e cooperativas ultrapassou a capacidade inicialmente disponível, facto que considera demonstrar o crescente interesse das empresas em utilizar a FACIM como plataforma para estabelecer contactos comerciais, encontrar novos mercados e criar oportunidades de negócio.
“Queremos que, após a conclusão da FACIM, tenhamos continuidade, porque os eventos não podem começar e terminar no último dia”, defendeu.
Pedro Silva defendeu igualmente uma utilização contínua da plataforma digital destinada às MPMEs, considerando que a ferramenta não deve limitar-se ao período da FACIM. Na sua perspectiva, a plataforma deve reunir informações sobre oportunidades de negócio, concursos públicos, legislação, financiamento e grandes projectos, permitindo às empresas identificar com maior facilidade as oportunidades disponíveis no mercado.
“A plataforma tem que ser bem explorada e as micro, pequenas e médias empresas têm que ter facilidade de acesso e encontrar lá o que precisamos para que as nossas empresas cresçam”, afirmou.
Outro dos desafios apontados pelo Presidente da APME está relacionado com o acesso ao financiamento e às divisas, dificuldades que continuam a condicionar a actividade das pequenas empresas. Pedro Silva explicou que a associação tem procurado trabalhar com bancos, seguradoras, parceiros privados e instituições governamentais na procura de soluções adequadas à realidade das MPMEs.
O dirigente considera que as pequenas empresas não possuem a mesma capacidade financeira das empresas de maior dimensão para suportar determinados custos, defendendo, por isso, a criação de mecanismos diferenciados de apoio.
“Nós temos que arranjar metodologias novas para apoio real às micro, pequenas e médias empresas”, defendeu.
Relativamente aos critérios de selecção das empresas participantes no pavilhão das MPMEs, Pedro Silva explicou que foi dada especial atenção ao conteúdo local e à diversificação dos sectores representados, incluindo agricultura, agronegócio, turismo, indústria, logística e indústria gráfica.
Questionado sobre a possibilidade de estabelecer uma meta de negócios ou acordos durante a FACIM, o Presidente da APME afirmou que a associação prefere concentrar-se no aproveitamento das oportunidades que surgirem, sem limitar os resultados a uma meta previamente definida.
“Nós queremos, se for preciso, fechar mil negócios durante a FACIM, mas nos meses consequentes continuarmos a fechar negócios”, declarou.
Para Pedro Silva, o verdadeiro sucesso da participação das MPMEs na FACIM não deverá ser medido apenas pelos negócios concretizados durante a feira, mas também pela continuidade das relações comerciais estabelecidas, das parcerias criadas e das oportunidades que possam surgir posteriormente.
A 61.ª FACIM apresenta-se, assim, como uma plataforma de promoção de negócios, investimento e parcerias, enquanto a participação das MPMEs e cooperativas procura reforçar a presença das empresas nacionais no mercado e transformar a exposição de produtos e serviços em oportunidades comerciais concretas.
