“AVALANCHE” DE CANDIDATURAS AO FDEL E “PRESSÃO” SOBRE O FINANCIAMENTO LEVAM GOVERNO A REFORÇAR APOIO, DIZ SALIM VALÁ
O Ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Salim Cripton Valá, participou, neste sábado, 15 de Agosto de 2026, no programa “Revista Nacional”, da TV Sucesso, onde abordou os resultados alcançados na implementação do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), os seus mecanismos de funcionamento e o impacto do financiamento na promoção do empreendedorismo e na criação de emprego.
Durante a entrevista, o governante explicou que o FDEL é uma iniciativa do Governo, apresentada como um instrumento de apoio aos moçambicanos que possuem ideias de negócio, já desenvolvem actividades empresariais ou pretendem iniciar negócios, mas enfrentam dificuldades no acesso a mecanismos de financiamento. Segundo Salim Valá, embora o fundo apresente algumas semelhanças com o antigo Fundo Distrital de Desenvolvimento (FDD), conhecido como “7 milhões”, existem diferenças importantes, sobretudo no modelo de gestão e na abrangência territorial.
O ministro explicou que o FDEL é um fundo descentralizado, cuja gestão é realizada ao nível dos distritos e das autarquias. Diferentemente do antigo FDD, que abrangia apenas os distritos, o novo instrumento prevê a cobertura de 209 territórios, correspondentes a 144 distritos e 65 autarquias.
Na primeira edição, referente a 2025, foram disponibilizados 824,6 milhões de meticais para os 209 territórios abrangidos. De acordo com os dados apresentados pelo ministro, esta iniciativa gerou uma procura muito superior aos recursos financeiros disponíveis, tendo sido registadas 356.663 candidaturas, entre iniciativas individuais, associações, cooperativas e pequenas e médias empresas.
Deste universo, foram aprovados e financiados 18.755 projectos, correspondendo a menos de 6% das candidaturas submetidas. Salim Valá destacou que mais de 65% dos projectos financiados foram apresentados por jovens, enquanto cerca de 30% estiveram ligados a mulheres, evidenciando o enfoque do fundo na promoção do empreendedorismo juvenil e feminino.
O ministro explicou ainda que o impacto do FDEL não se limita ao financiamento directo dos beneficiários. Segundo os dados disponíveis, os projectos financiados contribuíram para a criação de 42.386 oportunidades de emprego, incluindo o autoemprego dos próprios empreendedores e postos de trabalho gerados pelas actividades apoiadas. Em média, cada projecto terá contribuído para a criação de cerca de 2,4 empregos.
Questionado sobre a situação dos milhares de candidatos que não conseguiram financiamento, Salim Valá reconheceu que a elevada procura constitui uma preocupação para o Governo. Segundo explicou, a procura registada foi mais de 60 vezes superior aos recursos inicialmente disponíveis, o que levou o Executivo a reflectir sobre mecanismos para ampliar o alcance do programa.
Neste contexto, o governante revelou que o Governo reforçou a dotação prevista para a edição de 2026. Depois dos 824,6 milhões de meticais disponibilizados em 2025, o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026 prevê 1,5 mil milhões de meticais para o Fundo de Desenvolvimento Económico Local.
Salim Cripton Valá salientou que o reforço do financiamento pretende responder, de forma gradual, à elevada procura registada e ampliar as oportunidades de acesso ao financiamento para jovens, mulheres, empreendedores, associações, cooperativas e pequenas e médias empresas em todo o país.
A entrevista serviu igualmente para esclarecer as diferenças entre o actual Fundo de Desenvolvimento Económico Local e os mecanismos de financiamento anteriormente existentes, destacando a aposta do Governo na descentralização, no empreendedorismo, na criação de emprego e no desenvolvimento económico ao nível local.
