JOÃO MATLOMBE DEFENDE “NORMALIZAR A RIQUEZA DOS MOÇAMBICANOS” SEM CONFLITO COM A PGR E QUER BILIONÁRIOS NACIONAIS EM 10 ANOS
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, defendeu uma mudança na forma como Moçambique encara a riqueza e a participação dos cidadãos nacionais na economia, apelando à criação de condições para que empresários moçambicanos possam crescer, investir e assumir posições relevantes nos grandes negócios do país.
O posicionamento foi apresentado na última quinta-feira, 10 de Setembro de 2026, em Maputo, durante a sessão de abertura da 22.ª edição do Economic Briefing da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) joven, encontro que debateu a conjuntura económica nacional e os desafios enfrentados pelo sector empresarial.
Na sua intervenção, Matlombe destacou a necessidade de estabelecer uma nova relação entre riqueza, empreendedorismo e desenvolvimento económico, defendendo que ser rico em Moçambique deve deixar de ser encarado como algo suspeito ou necessariamente associado à actividade política.
“Precisamos ter bilionários moçambicanos que se dedicam só à actividade empresarial, não à actividade política. Não precisa ser político para ser rico.”
O Ministro considerou igualmente necessário “normalizar a riqueza dos moçambicanos”, para que o sucesso empresarial seja encarado como um processo normal e como parte do desenvolvimento económico do país, sem que a acumulação legítima de riqueza seja automaticamente associada a conflitos com as instituições.
Segundo Matlombe, Moçambique precisa ultrapassar a realidade em que cidadãos nacionais recorrem a terceiros para participar em grandes negócios. Para o governante, os moçambicanos devem ter condições para participar de forma aberta, transparente e directa nas oportunidades económicas existentes no país.
A questão está também ligada à necessidade de reter maior parte da riqueza dentro de Moçambique. Matlombe apontou que uma parcela significativa das grandes empresas nacionais é controlada por accionistas não nacionais, fazendo com que parte dos dividendos gerados pela actividade económica seja posteriormente expatriada.
“Precisamos, em cinco, dez anos, ter bilionários moçambicanos. Precisamos de moçambicanos ricos, empresários que se dediquem à actividade empresarial e não à actividade política.”
Para Matlombe, a formação de grandes empresários nacionais deve constituir uma componente estratégica da busca pela independência económica de Moçambique. Nesse sentido, defendeu a continuidade de iniciativas que permitam aos cidadãos nacionais participar em grandes projectos e transformar oportunidades económicas em património empresarial moçambicano.
O Ministro destacou ainda as concessões e os grandes projectos de infra-estruturas como algumas das áreas onde se pretende ampliar a participação de investidores nacionais. Entre os exemplos mencionados está a concessão da N4, importante ligação do Corredor de Maputo, onde está prevista uma componente destinada à participação de moçambicanos.
Matlombe explicou que a intenção inicial é reservar 10% de participação para investidores moçambicanos, através da Bolsa de Valores, permitindo que cidadãos nacionais possam investir e beneficiar directamente de grandes projectos, em vez de se limitarem a concorrer pela gestão ou execução das obras.
O governante reconheceu, contudo, que a ambição é alcançar uma participação nacional significativamente maior.
“Nós gostaríamos de dar 51% do capital, mas, como até agora não conseguimos identificar nenhum moçambicano que é milionário ou bilionário assumido, preferimos começar com 10%.”
Segundo Matlombe, essa participação poderá aumentar à medida que os empresários nacionais adquiram maior capacidade financeira para assumir posições relevantes nos grandes investimentos.
A estratégia passa igualmente por criar uma estrutura de participação que envolva o sector privado nacional e o sector empresarial do Estado, permitindo uma maior presença de capitais moçambicanos em projectos considerados estratégicos para a economia.
A intervenção do Ministro ocorre num momento em que o Governo e o sector privado procuram encontrar mecanismos para aumentar a participação dos empresários nacionais em grandes projectos e transformar as oportunidades existentes em instrumentos de crescimento empresarial.
Para Matlombe, a independência económica não será alcançada apenas através da atracção de investimento estrangeiro, mas também pela capacidade de formar empresários moçambicanos fortes, capitalizados e capazes de competir nos grandes negócios, contribuindo para que a riqueza produzida no país permaneça cada vez mais nas mãos de cidadãos nacionais.
