ÁLVARO MASSINGUE QUER EMPREITEIROS NACIONAIS NOS GRANDES PROJECTOS E DIZ: “NÃO PODEMOS FICAR A VER NAVIOS” ‎

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O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, defende uma maior participação das empresas moçambicanas nos grandes projectos adjudicados a empresas estrangeiras, através da subcontratação nacional, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências e capitalização do empresariado local.

A posição, partilhada pelo Jornal Canal de Moçambique nesta quarta-feira, 02 de Setembro de 2026, resulta das declarações proferidas por Massingue durante um encontro com o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael.

‎‎Para Massingue, a participação das empresas nacionais não deve ser encarada como uma simples preferência, mas como um investimento estratégico na capacidade produtiva do país. O líder empresarial defende que cada grande obra realizada em Moçambique deve deixar empresas nacionais mais fortes, quadros mais qualificados e maior capacidade tecnológica para responder aos projectos futuros. Na sua perspectiva, os investimentos públicos devem igualmente contribuir para reduzir os custos de fazer negócios, aumentar a produtividade e fortalecer o tecido empresarial nacional, com particular atenção às micro, pequenas e médias empresas.

‎‎O presidente da CTA defendeu ainda o reforço da transparência, concorrência e qualidade nos processos de contratação pública, propondo que os concursos sejam estruturados em lotes compatíveis com a capacidade das empresas moçambicanas. Massingue apelou igualmente à promoção de consórcios, parcerias e mecanismos de subcontratação, de modo a ampliar a presença do empresariado nacional nas grandes obras de infra-estruturas.

‎‎Outro ponto de preocupação apresentado pelo dirigente empresarial prende-se com os atrasos no pagamento das obras públicas, que, segundo afirmou, afectam a tesouraria, a capacidade operacional e a sustentabilidade financeira dos empreiteiros. Massingue defendeu mecanismos mais eficazes e previsíveis de programação, certificação e pagamento, alertando que os atrasos excessivos obrigam as empresas a suportar custos financeiros adicionais e podem comprometer a execução dos contratos e a própria sobrevivência empresarial.

‎‎A CTA chamou igualmente atenção para as dificuldades enfrentadas pelas empresas na importação de máquinas, equipamentos especializados, peças sobressalentes e materiais essenciais à execução dos projectos. Neste contexto, defende a revisão dos procedimentos aduaneiros e administrativos aplicáveis a equipamentos estratégicos, a criação de mecanismos de facilitação e a avaliação de modalidades de importação temporária para equipamentos especializados utilizados em grandes empreendimentos.

‎‎Por seu turno, o ministro Fernando Rafael defendeu que cada infra-estrutura deve ser encarada como uma cadeia económica completa, que ultrapassa a fase de construção e envolve consultoria, estudos, arquitectura, engenharia, avaliação ambiental, financiamento, materiais, equipamentos, transporte, mão-de-obra, fiscalização, seguros e outros serviços especializados.

‎O governante destacou igualmente os desafios relacionados com a habitação condigna, sobretudo para os jovens, e apelou ao empresariado para prestar maior atenção ao sector dos recursos hídricos, numa altura em que as mudanças climáticas tornam a gestão da água um desafio social, económico e de segurança.

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