DANIEL CHAPO: “SE OS PRIMEIROS 50 ANOS FORAM DE INDEPENDÊNCIA POLÍTICA”, OS PRÓXIMOS 50 DEVEM SER DE “INDEPENDÊNCIA ECONÓMICA” EM BENEFÍCIO DO POVO MOÇAMBICANO E DOS SEUS RECURSOS ‎

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‎O Presidente da FRELIMO e Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu nesta sexta feira, 21 de Agosto de 2026, durante a abertura da 11.ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, em Chimoio, província de Manica, que a consolidação da unidade nacional, da paz e da reconciliação nacional constitui um desafio que deve ser enfrentado por todos os moçambicanos.

‎Na sua intervenção, Daniel Chapo reconheceu os avanços alcançados pelo país ao longo dos últimos 50 anos, mas recordou igualmente os períodos de grandes adversidades que marcaram a trajectória nacional, destacando as consequências das duas décadas de agressão e desestabilização, a guerra dos 16 anos, a violência em períodos pós eleitorais, os desastres naturais, o terrorismo em Cabo Delgado, o crime organizado, os raptos, o tráfico e consumo de drogas e a corrupção.

‎‎Segundo o Presidente da FRELIMO, estes desafios continuam a condicionar o alcance dos objectivos de desenvolvimento sustentável e exigem uma resposta colectiva baseada no amor à pátria, respeito mútuo, unidade e reconciliação nacional.

‎‎Daniel Chapo considerou a 11.ª Conferência Nacional de Quadros um marco histórico na transição para uma nova era de construção de um Moçambique economicamente próspero, politicamente estável e assente na justiça social.

‎‎“Pretendemos que esta 11.ª Conferência Nacional de Quadros seja capitalizada como oportunidade ímpar para, em conjunto, traçarmos os melhores caminhos que nos levem à materialização da nossa visão de renovar Moçambique rumo à independência económica.”

‎O Presidente da FRELIMO defendeu a necessidade de uma transformação estrutural da economia nacional, colocando no centro a valorização do capital humano, a criação de emprego e a promoção de iniciativas de geração de renda, sobretudo para jovens e mulheres.

‎‎Daniel Chapo apontou igualmente a modernização da agricultura e o fortalecimento da indústria como prioridades para garantir a soberania alimentar e acrescentar valor aos produtos nacionais ao longo das cadeias de produção.

‎‎Na sua perspectiva, é necessário acelerar o desenvolvimento das zonas com maior potencial económico, criando melhores condições para a fixação e retenção de jovens nas zonas de produção e para o aproveitamento das potencialidades existentes em diferentes regiões do país.

‎‎A industrialização foi igualmente apresentada como uma condição fundamental para alcançar a independência económica. Daniel Chapo defendeu uma exploração sustentável dos recursos naturais e o seu processamento dentro do país, de modo a aumentar os benefícios para o Estado, as empresas nacionais e as famílias moçambicanas.

‎O Presidente da República apontou ainda a necessidade de reformar a Administração Pública, tornando-a mais eficiente, transparente, íntegra e moderna, com maior recurso à transformação digital e com maior capacidade de prestar serviços de qualidade aos cidadãos.

‎‎Neste contexto, Daniel Chapo destacou as reformas introduzidas nos sectores mineiro e petrolífero, incluindo a revisão da legislação e a definição de mecanismos para aumentar a participação do Estado nos projectos de exploração de recursos naturais.

‎Segundo explicou, o objectivo é garantir que os recursos existentes no solo, subsolo e zona económica exclusiva de Moçambique sejam efectivamente utilizados em benefício do povo moçambicano.

‎‎“Esses recursos devem beneficiar o povo moçambicano e a todos nós como moçambicanos.”

‎‎Daniel Chapo afirmou que as reformas em curso constituem apenas o início de um processo que deverá permitir aumentar progressivamente a participação nacional nos grandes projectos económicos, criando condições para uma maior moçambicanização da economia, que considerou uma etapa essencial da independência económica.

‎‎O Presidente da FRELIMO defendeu igualmente que o conceito de independência económica deve ser compreendido de forma clara, responsável e realista, olhando para as conquistas alcançadas pelo país desde a Independência Nacional e identificando os desafios que permanecem.

‎‎Segundo Daniel Chapo, os primeiros 50 anos de independência foram marcados sobretudo pela conquista e consolidação da independência política, enquanto os próximos 50 anos devem colocar no centro a conquista da independência económica.

‎“Se os primeiros 50 anos foram marcados pela conquista e consolidação da independência política, os próximos 50 anos devem ser orientados para a conquista da independência económica. Este é o grande desafio geracional do nosso tempo.”

‎‎Para o Presidente da FRELIMO, este desafio deve mobilizar as energias criativas de todos os moçambicanos e orientar a acção do Estado, das empresas públicas e privadas, dos trabalhadores, jovens, mulheres, funcionários públicos, camponeses, operários e de todos os agentes comprometidos com o futuro do país.

‎Daniel Chapo esclareceu, contudo, que a independência económica não significa isolamento de Moçambique, nem rejeição da cooperação internacional ou do investimento estrangeiro.

‎‎“Quando falamos de independência económica referimo-nos à capacidade do nosso país participar activamente na economia global, a partir de uma posição de afirmação da sua soberania económica com confiança e liberdade.”

‎Segundo o Presidente da República, a independência económica deve permitir que Moçambique transforme os seus recursos naturais, o conhecimento dos seus cidadãos e a capacidade produtiva das suas instituições em riqueza nacional, garantindo que os benefícios sejam distribuídos em prol do povo moçambicano.

‎‎Ao aprofundar o conceito de independência económica, Daniel Chapo destacou a necessidade de alcançar a autossuficiência alimentar nacional, com base no aumento da produção interna e na capacidade de garantir alimentos para a população.

‎‎Defendeu igualmente o aumento das receitas do Tesouro Público provenientes da exploração dos recursos naturais, incluindo ouro, carvão, gás, rubis, areias pesadas, grafite e outros recursos estratégicos existentes no país.

‎‎O Presidente da FRELIMO alertou para a necessidade de reduzir a dependência excessiva da exportação de matérias primas em bruto, defendendo maior processamento dos recursos dentro do território nacional, de modo a criar emprego, gerar riqueza e aumentar o valor acrescentado da economia moçambicana.

‎‎Neste âmbito, destacou reformas já aprovadas pelo Governo, incluindo a Lei de Minas, a Lei de Petróleos, a legislação relacionada com o sector do carvão, a criação da Empresa Nacional de Minas e do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, entre outras medidas consideradas fundamentais para o reforço da soberania económica.

‎‎Para Daniel Chapo, estas reformas constituem sementes para a construção de um futuro económico mais próspero e soberano para Moçambique.

‎O Presidente da FRELIMO defendeu, por fim, que o novo ciclo de desenvolvimento deve traduzir-se na criação de empregos dignos, sobretudo para a juventude e para as mulheres, no surgimento de mais oportunidades para empresas nacionais e na construção de uma economia capaz de gerar maior riqueza para os moçambicanos.

‎‎“Rumo à independência económica, pelo desenvolvimento, pela soberania e pelo bem estar do povo moçambicano.”

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