DANIEL CHAPO: “A PAZ COMEÇA NAS NOSSAS FAMÍLIAS” PRESIDENTE DEFENDE DIÁLOGO, RECONCILIAÇÃO NACIONAL E RESPONSABILIDADE COLECTIVA
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, dirigiu, nesta quinta-feira, 22 de Outubro de 2026, a abertura da Conferência Internacional Religiosa, realizada na cidade da Matola, província de Maputo, onde apelou ao envolvimento activo das confissões religiosas na promoção do diálogo, da reconciliação nacional e da construção de uma paz duradoura no país.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado defendeu a necessidade de enfrentar, com coragem e responsabilidade colectiva, as causas estruturais da desconfiança, da instabilidade e dos conflitos que têm marcado a história política nacional, particularmente desde a introdução do multipartidarismo, em 1994.
Daniel Chapo recordou que, ao longo de três décadas de democracia multipartidária, Moçambique realizou eleições de cinco em cinco anos, mas continuou a enfrentar conflitos e tensões associados aos processos eleitorais. Neste contexto, sublinhou que o país precisa de um diálogo nacional inclusivo capaz de produzir mudanças concretas no funcionamento do Estado e melhorar as condições de vida dos cidadãos.
O Presidente referiu que o compromisso político para o Diálogo Nacional Inclusivo, subscrito a 5 de Março de 2025 e aprovado pela Assembleia da República sob a forma de lei, estabeleceu bases para a reflexão sobre questões fundamentais para o futuro do país, incluindo a reforma do Estado, do sistema de justiça eleitoral, a modernização da Administração Pública, a reconciliação nacional, a inclusão económica e o fortalecimento dos mecanismos de prevenção e gestão de conflitos.
Segundo Daniel Chapo, o processo exige responsabilidade política, participação social e religiosa e compromisso patriótico de todos os moçambicanos, dentro e fora do país.
O Chefe do Estado advertiu, contudo, que os entendimentos alcançados entre dirigentes políticos, embora importantes, não são suficientes para garantir a reconciliação entre os cidadãos. Na sua perspectiva, o verdadeiro sucesso do diálogo deverá ser avaliado pela capacidade de reconstruir a confiança nas instituições, reduzir as injustiças e desigualdades sociais e devolver a esperança ao povo moçambicano.
Neste contexto, destacou o papel das confissões religiosas na aproximação entre as comunidades, na promoção da escuta, na prevenção de conflitos e na criação de espaços de entendimento entre pessoas com diferentes convicções.
Daniel Chapo defendeu que a reconciliação nacional não deve limitar-se às salas de negociação, devendo também ser construída nas famílias, nos bairros, nas aldeias e nas comunidades, através do respeito pelas diferenças, do perdão, da convivência pacífica e da valorização dos laços que unem os moçambicanos.
Ao abordar a importância da família na formação das novas gerações, o Presidente alertou para os riscos de se deixar a educação das crianças excessivamente dependente das redes sociais, dos telefones e de outros meios de comunicação, sem acompanhamento adequado dos pais e encarregados de educação.
O Chefe do Estado considerou fundamental que as famílias ensinem, desde cedo, valores éticos e morais, ajudando as crianças a distinguir o bem do mal e a desenvolver atitudes de respeito, responsabilidade e solidariedade.
Na sua intervenção, chamou igualmente a atenção para o enfraquecimento do diálogo dentro dos lares, apontando situações em que pessoas que vivem na mesma casa comunicam sobretudo através de grupos de WhatsApp e passam pouco tempo a conversar directamente.
Para Daniel Chapo, os momentos de convivência familiar, incluindo as refeições partilhadas, devem ser aproveitados para o diálogo, a transmissão de valores e a educação das crianças para a paz e a reconciliação.
O Presidente destacou ainda a importância da educação religiosa na formação moral das crianças, referindo o papel das madraças para os muçulmanos e da catequese e das escolas dominicais para os cristãos, enquanto espaços de aprendizagem de valores éticos, morais, amor ao próximo e respeito pela diferença.
Na mesma ocasião, enalteceu a iniciativa Clube da Paz, da Wheeling International School, cujas adolescentes, segundo referiu, estão a aprender princípios de convivência pacífica, reconciliação e solidariedade. Para o Chefe do Estado, iniciativas desta natureza contribuem para formar cidadãos comprometidos com a paz desde a infância.
Daniel Chapo apelou também às lideranças religiosas para que assumam um papel activo na promoção da cultura de diálogo e não se limitem a acompanhar o processo do Diálogo Nacional Inclusivo como observadoras. Defendeu que as instituições religiosas devem ajudar a levar às comunidades informação clara sobre os objectivos do processo e incentivar a participação dos cidadãos, respeitando as competências dos órgãos e das instituições legalmente responsáveis.
Outro ponto central do discurso foi a necessidade de desarmar as mentes e os corações, como condição para transformar a forma de comunicar e de lidar com as diferenças. O Presidente explicou que a mudança de atitudes deve começar pela rejeição dos discursos de ódio, da mentira, da desinformação, dos boatos e da manipulação.
Segundo Daniel Chapo, a violência nem sempre começa com armas ou agressões físicas, podendo ter origem em preconceitos, julgamentos e palavras que humilham, excluem ou retiram dignidade às pessoas que pensam de maneira diferente.
O Chefe do Estado reiterou que a diversidade de opiniões deve ser encarada como uma oportunidade de enriquecimento da sociedade, defendendo que as divergências sejam resolvidas através do diálogo e da argumentação, e nunca por meio de ameaças, discursos de ódio ou informações falsas.
Ao abordar o impacto das novas tecnologias, o Presidente afirmou que as redes sociais e a inteligência artificial oferecem oportunidades importantes de comunicação, mas também podem facilitar a circulação de mensagens manipuladas e conteúdos que alimentam divisões sociais.
Daniel Chapo alertou que uma mensagem irresponsável pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos, contribuindo para a disseminação de preconceitos e para o agravamento de tensões entre indivíduos e comunidades.
Como exemplo, recordou os rumores que, durante a pandemia da COVID-19, associaram falsamente profissionais de saúde à propagação da doença, colocando em risco a segurança de pessoas que trabalhavam para proteger a saúde pública e salvar vidas.
Perante este cenário, apelou às lideranças religiosas para promoverem uma comunicação responsável, valorizarem a verdade e sensibilizarem os cidadãos para a necessidade de verificar a autenticidade das informações antes de as partilharem.
O Presidente observou ainda que a mentira, os boatos, a violência, o ódio e a manipulação circulam frequentemente com grande rapidez, defendendo que as mensagens de paz, solidariedade e respeito devem merecer igual atenção e alcance na sociedade.
Ao concluir a sua intervenção, Daniel Chapo reiterou a importância do envolvimento conjunto do Governo, das instituições religiosas, das famílias, das escolas e da sociedade em geral na construção de uma cultura de paz, reconciliação e responsabilidade colectiva, sublinhando que o futuro de Moçambique depende também da forma como os cidadãos educam as novas gerações, comunicam entre si e resolvem as suas diferenças.
