Rússia diz que Arábia Saudita tem direito a desenvolver energia nuclear

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A Rússia defendeu hoje o direito da Arábia Saudita a desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos, tal como o Irão e outros países, na sequência do acordo entre Washington e Riade.

“Todos conhecem a nossa posição de que qualquer Estado tem o direito de aceder à energia atómica para fins pacíficos. O Irão deve ter esse direito, a Arábia Saudita deve ter esse direito e outros Estados também o devem ter”, afirmou o porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa telefónica diária.

Relativamente às armas nucleares, Peskov garantiu que a posição de Moscovo continua a ser a da não-proliferação.

Também hoje, e igualmente em Manila, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reiterou que, através do acordo celebrado com os Estados Unidos, a Arábia Saudita pretende dotar-se de um programa nuclear “pacífico e civil”.

“Qualquer acordo que celebremos com qualquer país do mundo no domínio da energia nuclear civil incluirá garantias para assegurar que não possa ser convertido num programa de armamento”, declarou Rubio.

“A Arábia Saudita pretende dotar-se de um programa nuclear pacífico e civil”, insistiu o chefe da diplomacia norte-americana perante os jornalistas, sublinhando que já existe um acordo semelhante em vigor com os Emirados Árabes Unidos.

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, comentou, a propósito do acordo que permite ao reino árabe desenvolver um programa nuclear civil, que Riade não devia ter de pedir autorização para enriquecer urânio para fins pacíficos.

“É um direito de qualquer Estado parte no Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares”, afirmou Lavrov numa conferência de imprensa em Manila, onde termina hoje a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Ao mesmo tempo, Lavrov alertou para a tendência que tem vindo a ser identificada “no sentido da ideia de que apenas as armas nucleares podem, tanto quanto possível, garantir a liberdade e a independência” de um país.

“Digo-o com pesar, porque esta é uma das consequências das ações agressivas que os Estados Unidos e vários dos seus aliados procuram impor na política global para manter a sua posição dominante”, acrescentou Lavrov, depois de, em maio, a Rússia e a Bielorrússia terem realizado os seus primeiros exercícios conjuntos de utilização de armamento nuclear tático e estratégico.

O pacto entre Washington e Riade, conhecido como “Acordo 123”, terá ainda de ser ratificado pelo Congresso dos Estados Unidos.

O acordo foi assinado num contexto de tensão com o Irão, rival da Arábia Saudita no Médio Oriente, e em pleno esforço de Washington para limitar as capacidades nucleares de Teerão, que nega estar a tentar desenvolver armas nucleares.(LUSA)

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